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Coronavírus: Comunicação com o paciente, cuidados paliativos...

Há muitos anos eu estudo a dor. Estudar a dor envolve várias dores, sofrimentos, incapacidades, e entre elas, a dor e o desejo do fim de vida. Este último também é conhecido como cuidado paliativo, ou a escuta e o respeito pelos desejos da pessoa doente, de seu sofrimento e do sofrimento de seus entes queridos.

Nesses momentos de pandemia do Coronavírus, acompanhando o número de óbitos por dia na Itália, e lembrando-me da intensidade que é a rotina em ambiente hospitalar. Eu me questionei, e permanece refletindo sobre... sobre como será o fim de vida das pessoas com SARS-COV2, acometidas de forma grave pelo vírus do Covid19.

Assistimos por imagens surreais: as UTIs com 10x mais leitos que o projetado para aqueles espaço, os leitos adaptados nos mais diferentes contextos e imaginamos a sobrecarga de trabalho físico das equipes de profissionais de saúde,... lutando pela manutenção da vida, sabendo que alguns (vários) pacientes não tiveram a sorte de ter um respirador e uma vaga disponível.

A doença pode até ser assintomática em 86% da população (como apresentados nos dados da Iceland). Temos 14% com sintomas e principalmente temos um número maior de pessoas com casos graves sem ter leitos suficientes. Não podemos esquecer que calcular todos os leitos que existem e descrever como leitos "disponíveis" é algo irreal, pois estes leitos são ocupados por pessoas com outras condições clínicas agudas. E... nesse caso, impõem-se outra dor e sofrimento da sorte por estar doente e ter um leito disponível.


As pessoas com problemas respiratórios, tipo SARS-Cov2

- sofrem pela falta de ar

- sofrem antecipadamente por saber ser terão vaga em algum leito hospitalar

- sofrem e questionam-se como todos que tem uma doença grave que pode conduzir ao fim da vida.

- sofrem eles,.... e o sistema de saúde provavelmente não terá pernas, braços, orelhas, ... não terá TEMPO para a acolhida. Os pacientes permanceram semanas talvez na UTI, sozinhos, tendo que fazer sozinhos esse processo de despedida da vida.


Essa dor dói-me, toca-me.

Essa dor pode ser vivida por qualquer um de nós.

Em situações de emergência, ... a gente luta pela vida, pelo corpo físico, ... e é o máximo que conseguimos.


Em situações de emergência,... as famílias dos profissionais de saúde sentem sua ausência, e vice e versa. E sem TEMPO para desabafar sobre as perdas quase que sistemáticas em suas rotinas...



Escrito por Juliana Barcellos de Souza

Fonte da foto: Depositodefotos



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